As Mudanças Climáticas, os Desastres Naturais e a Escassez Hídrica

As Mudanças Climáticas, os Desastres Naturais e a Escassez Hídrica

Por: Admin - 11 de Março de 2026

Os desastres ocorridos em Fevereiro de 2026, nos municípios da Zona da Mata Mineira, principalmente em Ubá e Juiz de Fora, retratam os efeitos das mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global aliados a condições naturais.

 

A temperatura média global atingiu níveis críticos, superando 1,5°C a 1,75°C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900) em janeiro de 2025. Dessa forma, temos que a cada 1°C de aquecimento da temperatura, a atmosfera retém aproximadamente 7% a mais de umidade. Fazendo com que essa água em forma de vapor tenha que ser liberada da atmosfera, formando chuvas torrenciais mais volumosas e intensas. Isso causa o acúmulo de água em camadas superficiais do solo e o aumento do nível dos cursos d’água em um curto período de tempo.

 

As questões naturais envolvidas que contribuíram para a formação das nuvens estão relacionadas as características da região e presença de uma frente fria. 

 

A região possui características de um fenômeno denominado cavado. Trata-se de região alongada de baixa pressão e localização em médios e altos níveis da atmosfera. Essas áreas possuem ar mais leve favorecendo a retenção da umidade pela atmosfera por meio de uma sucção puxando a umidade do solo para a atmosfera gerando assim nuvens e precipitações intensas. 

 

Por questões climáticas a região recebeu uma frente fria que causou instabilidade da temperatura gerando assim chuvas isoladas. A frente fria é a zona de transição entre uma massa de ar frio (mais densa) e uma massa de ar quente (menos densa) o que causa o “levantamento do ar quente” e à instabilidade atmosférica causando assim as chuvas isoladas.

 

Como consequência, houve um acúmulo de água no solo, causando desabamentos de encostas e inundações, levando a vítimas fatais.

 

O fato é que as chuvas intensas ocorridas no estado de Minas Gerais em curto período de tempo não alimentam as cabeceiras dos rios e córregos, e não são eficazmente retidas pelo subsolo de forma a abastecer os aquíferos, devido ao rápido escoamento superficial.

 

Dessa forma, o estado — conhecido como a “Caixa d’água do Brasil” pela importância de suas bacias hidrográficas — enfrenta ainda a escassez hídrica em função do aumento da temperatura, que acelera a evaporação da água, secando o solo e reduzindo o nível de rios e reservatórios.

 

É importante que, mesmo presenciando situações de excesso de chuvas, a população, as empresas e o poder público mantenham a conscientização sobre as emissões atmosféricas, de forma a evitar um aquecimento ainda maior da temperatura global e o consequente racionamento de água.

 

Um exemplo é a solicitação e emissão de outorgas de uso das águas. As captações, tanto de águas subterrâneas quanto de águas superficiais, devem levar em conta a disponibilidade hídrica dos aquíferos e cursos d’água nos períodos de seca e não de cheia uma vez que os períodos de chuvosos favorecem uma disponibilidade que não seria a real impactando diretamente na escassez hídrica.

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